sexta-feira, 2 de setembro de 2011

a linguagem de animais

Em verdade, diversos tipos de macacos emitem sinais sonoros que sinalizam perigo (predadores), comida, etc. Algumas espécies especializam esses "gritos de aviso" dependendo do predador (um chamado para predadores voadores, outro para predadores terrestres, etc. O número de "gritos" especializados varia de espécie para espécie de primata e pesquisadores debatem sobre o número exato de "gritos" para cada espécie. Entretanto, não se pode dizer que esses animais apresentem, no momento dessas emissões vocais, um comportamento que possa ser interpretado como uma conversa (o que caracteriza a linguagem). Tentativas de ensinar linguagem a primatas "fracassaram" sucessivamente (apesar de algumas espécies terem demonstrado poder memorizar mais de uma centena de "palavras" e seus significados). Ou seja, as pesquisas realizadas com os chimpanzés Sarah e Washoe confirmam que a linguagem é a característica mais marcante que diferencia nós humanos dos outros animais.

Alguns insetos se comunicam através de feromônios, mas essa comunicação claramente não se baseia em uma linguagem e aproxima-se da comunicação intercelular. Um caso notável são os insetos sociais, e especificamente as abelhas, estudadas pelo zoólogo Karl von Frisch [4], que comunicam-se através de uma "dança". Uma abelha que tenha encontrado alimento volta à colmeia e é rodeada pelas outras operárias. Após regurgitar o néctar que colheu, a abelha começa a fazer um movimento que imita a figura de um 8 (veja a figura A). A "dança" comporta duas mensagens distintas. Uma sobre a distância, indicada pelo número de oitos desenhados num período de tempo; e uma sobre a direção em que se encontra o alimento, indicada pelo ângulo formado pelo eixo do 8 em relação ao sol (que as abelhas sabem onde está mesmo com o tempo encoberto, por ter uma sensibilidade particular à luz polarizada, veja a figura B). Entretanto, mesmo no caso das abelhas, não se pode falar em linguagem. Apesar das operárias "responderem" à mensagem da primeira abelha (indo até a fonte indicada e colhendo mais alimento), a resposta é sempre instintiva e automática. As abelhas não comentam sobre o pólen que acharam ontem, como estava gostoso, nem que esperam achar mais hoje, etc.

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